sábado, março 15, 2008

[Literatura, séries] - Noir - Dashiell Hammett



Antes dele, na literatura policial todos os detetives eram dotados de um “sexto sentido” e as soluções para os casos de assassinatos dependiam de pistas mínimas que despertavam “o gênio intuitivo” e o cérebro prodigioso do investigador. Antes dele, o principal objetivo da narrativa era a resolução do caso e ponto final : e geralmente a culpa era do mordomo. Dashiell Hammett trabalhou como detetive em uma das principais agências norte-americanas na década de 20 e depois de vários bicos como escritor de publicidade decidiu optar pela carreira literária. Sentia a necessidade de dotar à narrativa policial elementos realistas do processo de investigação e também – e por que não? – revelar o lado “b” da sociedade americana. Foi o inventor do gênero “Noir” onde detetives durões circulavam pelos ambientes mais cosmopolitas e sujos de São Francisco e Los Angeles, onde a corrupção era a ordem do dia em plena lei seca. A crescente complexidade delitiva em uma América afundada na “Depressão” era um material e tanto e Hammett não o diperdiçou.
No começo dos anos 20 a ficção policial tinha grande entrada no público americano ao lado das novelas de aventura devido o surgimento das revistas “pulp”; a baixa qualidade do papel e o preço acessível faziam dessas edições êxitos seguros no mercado. Era o típico “ler e jogar fora”. Dashiell começou publicando seus contos nessas revistas até ser convidado para escrever na “Black Mask”, a mais prestigiada de todas. Logo se percebeu que em sua narrativa havia algo mais; o fato de haver trabalhado como detetive lhe proporcionou um código moral, técnicas de observação e uma familiaridade com os tipos menos recomendáveis que impregnou sua literatura de um realismo até então inexistente no gênero; seus diálogos rápidos e curtos e a breve descrição de cenas de perseguição misturadas com doses de cinismo e violência, serviriam para o cinema feito na década de 30. A imagem do detetive de cachimbo, sentado comodamente na sua vasta biblioteca, estava morta.

4 comentários:

Agnes disse...

Interessante. A gente tende a olhar para o gênero policial sempre com um certo preconceito, como uma "literatura menor", mas o fato é que o gênero escolhido por um autor importa muito menos do que a habilidade com que escreve e as inovações que traz para a narrativa. Exemplo disso é o nosso Rubem Fonseca, que, de certa forma, também abraçou o mesmo gênero policial após ter sido comissário de polícia. É ótimo romancista e contista, mas sofre com a fama de "autor de best-seller policial".

Marcio Menezes disse...

Agnes!!concordo plenamente! Eu demorei mais de 15 anos para olhar à literatura policial sem o preconceito de ser uma literatura "menor". E agora que mergulhei de cabeça, estou fascinado. beeeijo!

Karl Eklund disse...

Hammett wrote a series of novels which together constitute a novel of development. There are two collections of stories and the novels "Red Harvest" and "The Dain Curse" which show the hero as an employee of an agency developing in sophistication. "The Maltese Falcon" shows the Hero at his peak, finding the truth through the complications of a corrupt, decadent society. The truth, however, means that he has to give up the fascinating heroine. In the Glass Key the hero makes his living by gambling and advising a corrupt politician and whose goal is merely to survive. He ends up by going off with the rich man's daughter. In The Thin Man he is living off her estate and stays as drunk as possible so as to tolerate the decadence. Even drunk he thinks more clearly than anyone else.

Having written this complete psychological cycle Hammett could write no more.

To see where this fits read:
http://qt.karleklund.net

Marcio Menezes disse...

Thaaaaaaaaaaaank you very much for your post!yeah, he was a genius even when was drunk. In xx century was the best.