sábado, março 17, 2007

[cine] Série John Cassavetes parte II - Uma Mulher Sob Influência


Uma Mulher Sob Influência (Woman Under the Influence, 1974), é o filme da vida de Gena Rowlands. É a prova cabal de que os Oscar são uma premiação que não se pode levar a sério (ela foi indicada, mas perdeu para Ellen Burstyn). No papel da lunática Mabel, Gena se esgota, se transforma e se extrapola até deixar o público em um estado que não sei bem dizer se é exaustão ou tensão ao extremo. Ou uma mescla das duas coisas. Para se ter uma idéia da força da personagem, Gena teve de convencer Cassavetes a filmar o roteiro, ao invés de transformá-lo em peça de teatro, como queria o diretor, porque não se sentia capaz de interpretar Mabel a cada dia.

O filme começa com uma apresentação do estado mental de Mabel. Dá pena ver como ela se esforça para agradar a seu marido Nick Longhetti (Peter Falk). E também dá pena ver como ele tenta levar uma vida normal apesar da loucura da mulher. Há amor entre os dois. E a luta para conservar este amor comove profundamente.

Mas, à medida que a história vai se desenvolvendo, e com ela o desequilíbrio de Mabel, esse sentimento de pena que havia ao princípio vai pouco a pouco se transformando em agonia, porque se pressente que deste ninho de cobra não vai sair nada positivo e se vê o sofrimento do casal e, principalmente dos seus filhos.

Até que chega um ponto em que você está completamente devastado. O sentimento de pena que havia no início do filme agora é uma raiva incontrolável. E você se questiona: Mabel é mesmo louca ou age assim por causa de seu entorno? São as pessoas que a rodeiam – especialmente seu marido – que a fazem piorar a cada dia? É ele o louco, e não ela?

Aí o filme acaba e você pensa na coitada da Gena Rowlands e em como este trabalho deve ter exigido dela um descanso de uns três anos. Mas então você olha para si mesmo e vê que, se isso é possível, você está ainda mais esgotado que ela. E outra vez, Cassavetes conseguiu seu objetivo: te envolveu de tal maneira na sua atmosfera hiper-real que, neste momento, você, pobre espectador, só quer vomitar.

O torrent tá AQUI. Obrigatório.

4 comentários:

Anônimo disse...

Ziriguidum cósmico-cibernético eu já vi um documentário sobre esse cara na tv a pago.

Anônimo disse...

esqueci de assinar:
Peti

Gomes disse...

Nininha,
Escelente tua análise!
Você é minha heroina!

E o filme é mesmo uma seqüência de jebs dentro de um cérebro que mais está para panela de pressão.

Marcio Menezes disse...

Nina!!!Continue!!essa é a estória de todos nós!!amor e restos humanos...espero o próximo!!