sexta-feira, dezembro 22, 2006

Povo Brasileiro: Como reagir?







No dia 18 passado, em Salvador, a funcionária pública aposentada Rita de Cássia Sampaio de Souza (acima) deu uma facada no deputado federal Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), de 27 anos, o mais novo Magalhães a herdar o controle político, econômico e dos meios de comunicação do estado da Bahia.

A agressora justificou sua ação pelo fato de o deputado não ter cumprido a suposta promessa de resolver a liberação de seu FGTS, retido desde que ela foi afastada da Secretaria de Saúde do município de Ipiaú, a 353 quilômetros de Salvador, três anos atrás. Ela contou também que o anúncio do aumento de 90,7% no salário dos parlamentares fez crescer sua raiva. Rita foi presa em flagrante e indiciada por tentativa de homicídio qualificada. O deputado levou 3 pontos nas costas.

Essa senhora fez o que muito brasileiro gostaria de fazer, mas não tem coragem devido à boa índole. As pessoas estão indignadas com a política brasileira. Fartas de tomar tapa na cara atrás de chute no saco e receber uma gargalhada no meio da fuça na seqüência. E não é só na política. Nesse âmbito é mais problemático porque o poder e as quantidades de dinheiro envolvidas são exorbitantes. Mas muitos (leia-se quase todos) dos meus amigos concursados comentam saber que na sua repartição não é coisa rara rolar um "por fora" ou um "acerto". Ou seja, quem tem uma oportunidade rouba. Sempre foi assim no nosso querido Brasil. Infelizmente!

Mas hoje, assim como acontece com a violência urbana, a banalização tomou conta. Já não é preciso ser tão cauteloso para mutretar. No fim das contas, todo mundo volta pro Congresso mesmo. Já o pobre, que não tem acesso à nada (nem a uma brechinha pra roubar por debaixo dos panos), ou aceita tristemente sua condição escrava ou passa a roubar e matar pelas cidades sem limites.

As ações geram reações. É uma lei física. A panela de pressão tá pra estourar, titio! Simplesmente porque a situação é inadmissível. Ninguém agüenta mais. Só não se sabe como desatar as mãos. Dona Rita de Cássia, desesperada - e não louca, até que se prove o contrário -, fez sua tentativa. De uma maneira violenta, mas não de se espantar. Afinal, ver no sucessor de um império de poder e dominação, como o dos Magalhães, um culpado para seus problemas não me parece tão absurdo.

Um comentário:

Nina disse...

É triste, mas a verdade é que, na situação a que chegamos, não tem mais solução que as medidas radicias. Só reclamar enquanto assiste o Jornal Nacional não resolve o problema de ninguém. Não digo que tenhamos que sair por aí esfaqueando políticos, mas apedrejar umas casinhas e uns carros oficiais de vez em quando não me parece má idéia...